button titlesMINHA VIDA

N. 1

2014: Eu só tinha uma coisa na minha cabeça

Claro que as coisas não são fáceis, foi difícil chegar aonde cheguei. Acho que a maior dificuldade foi ver minha família passando por momentos difíceis. Aquilo é complicado, mexe com a cabeça da gente. Ainda mais quando você é criança. Eu estudava à tarde e vendia picolé e doce de manhã. Também já trabalhei por um dia em lava-jato, limpando carros. Fiquei pouco, porque era pesado demais. Mas eu tinha que ajudar em casa. De vez em quando ia com meu avô para a roça. Tentava ajudar como podia.

Uma vez, era Natal, eu me lembro, fomos comemorar na casa do meu pai, ele morava na roça. Eu e meus primos fomos pescar e o dono da propriedade tinha falado para o meu pai para não pescar em uma reserva lá, onde tinham os peixes que ele tratava. Não estávamos pescando nada, eu estava com o anzol e coloquei nessa represa “proibida”. Pegamos um peixe e o dono viu. Foi aí que ele começou a humilhar meu pai na nossa frente, ameaçou tirá-lo de casa, dizendo que iria morar na rua. Fiquei sem palavras. Fui chorar no quarto. Meu pai falou que isso ia passar. Depois eu conversei com o meu tio e disse que isso não ia ficar assim, que ia conseguir a casa para o meu pai e tirar ele daquela vida.

Passei boa parte da minha infância em Nova Venécia. Comecei a jogar com dez anos na escolinha Leão de São Marcos, depois fui para a escolinha do Régis, que também disputava a Copa A Gazetinha, muito conhecida na região. Eu morava em frente a um campo e no meu aniversário meu pai comprou dez bolas pra eu ficar brincando. Meu pai sempre me incentivou a jogar futebol, mesmo ele não tendo condições, tinha viagem que ele me dava cinco reais, dez reais pra viajar, e eu tentava gastar com comida o que podia lá, às vezes até dividia com meus amigos também que não levavam dinheiro. Fiquei seis anos jogando as competições locais, fui artilheiro na maior parte. Vivi em uma área em que era fácil se perder no caminho das drogas, no mundo do tráfico, e eu fui uma pessoa abençoada, não me envolvi com isso. Ofereceram-me erva várias vezes, mas, graças a Deus, nunca fumei. Esse tipo de coisa era natural na minha vida. Meu avô e meu tio Elton sempre me davam conselhos e me falavam para não ter amizades que não me levariam a nada. Só para a prisão mesmo. Então eu vou sempre guardar isso no meu coração.

Era uma área bastante perigosa. Eu vi drogas na minha frente todos os dias e tiroteios também. Eu tinha tudo para ser traficante também. Mas meu primeiro treinador no futsal, o Fidel, era da polícia e sempre me incentivou para eu seguir em frente porque eu tinha talento, então não tive medo de nada. Como sabia de onde eu era, ele também sempre me dava conselhos para me impedir de seguir um caminho ruim. Eu só queria jogar futebol. Lembro que andava na rua e me chamavam de vagabundo, bandidinho. Graças a Deus não virei bandido como falavam. Apesar disso, quando estava crescendo ainda, um cara uma vez apontou uma arma para o meu rosto porque achava que eu era traficante de drogas tentando roubar o ponto dele. Só pensava: ‘Se ele dispara, eu morro’ – mas sobrevivi e segui em frente. Essa era a minha vida. E a minha vida podia ter terminado várias vezes por estar no lugar errado na hora errada.

Eu aprendi muita coisa nessa época. A dar valor para a vida. Tudo se conquista trabalhando na dedicação e na humildade. É preciso dar o melhor de si.

Não tenho mais medo de nada.

2014: Eu só tinha uma coisa na minha cabeça

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