button titlesMINHA VIDA

N. 1

2018: Novas cores, azul e amarelo

O Watford fazia um campeonato acima das expectativas até o final de novembro passado. Estávamos na metade de cima da tabela e fazendo bons jogos. Depois, nossa equipe caiu bastante e não conseguia vencer. Quando isso acontece, infelizmente, a culpa acaba recaindo sobre o treinador, e foi o que aconteceu com o Marco Silva. Ele saiu no final de janeiro e aquilo mexeu muito comigo, afinal foi ele quem confiou em mim e me trouxe para a Inglaterra.

Individualmente, eu confesso que perdi um pouco de confiança naquele período, pois eu simplesmente não conseguia fazer gols. Me lembro de um jogo contra o Chelsea em que fiz, talvez, a minha melhor partida pelo Watford. A gente goleou por 4 a 1, e eu saí extremamente frustrado quando fui substituído porque não consegui deixar o meu. 

Eu vinha há muito tempo sem férias e pré-temporada, as pernas começaram a sentir. Eu achava que ia estourar a qualquer momento, porque a minha coxa vivia doendo. Mas durante os jogos eu sempre dava a vida. Nunca deixei de lutar, mas as coisas realmente não aconteceram no primeiro semestre.

A chegada do Javi Gracia me trouxe para uma situação diferente. Até aquele momento, eu era titular da equipe, mas perdi espaço. No final das contas, a nossa equipe fez apenas o necessário para fugir do rebaixamento, o que foi frustrante, porque iniciamos a competição jogando muito bem e confiantes.

Eu estava realmente cansado e fui ao Brasil para passar férias, as primeiras em quase três anos. Nada melhor do que ver a família e os amigos para recarregar as baterias. Aproveitei a viagem para organizar meu primeiro jogo beneficente em Nova Venécia. Era uma vontade antiga que eu tinha e foi muito especial ver tanta gente empenhada em ajudar. Arrecadamos mais de três toneladas de alimentos e o Zenor Pedrosa Rocha ficou lotado. Não tinha espaço para mais ninguém.

Foi nessa época que surgiu a famosa Dança do Pombo. Eu estava de férias, sem fazer nada lá em casa, e pedi para um amigo gravar eu fazendo a coreografia. Não foi nada planejado, mas aquilo viralizou de uma tal forma que chovia gente me mandando vídeos fazendo a dança. O mais legal foi que a criançada se amarrou. Aquilo acabou virando a minha marca registrada.

Depois daqueles dias de folga, me reapresentei-me ao Watford para a pré-temporada, mas o meu destino não estava mais no Vicarage Road. O Everton havia contratado o Marco Silva para ser o treinador da equipe. Ele, novamente, apostou suas fichas em mim e eu não podia decepcioná-lo. Criticaram muito a minha contratação pelo valor pago. Um comentarista da TV chegou a dizer que eu havia inflado o mercado, pois não valia tanto dinheiro assim. Mas esse é o tipo de comentário que me motiva ainda mais.

E eu comecei com sangue nos olhos. Fiz dois gols contra os Wolves e fui eleito o melhor em campo na estreia. Fiz mais um contra o Southampton e estava me sentindo muito bem. Foi então que o excesso de vontade me traiu. Contra o Bournemouth eu disputei uma bola no lado esquerdo do nosso ataque e me desentendi com o lateral-direito deles. Ele simulou que eu tinha dado uma cabeçada e eu fui expulso. Acho que ele armou aquilo porque ainda estava chateado com o que aconteceu na última vez que tínhamos jogamos contra, na temporada anterior. Dei uma chapéu seguido de uma caneta no cara e aquilo repercutiu muito. Infelizmente eu caí na armadilha e me dei mal. Aqui na Inglaterra a expulsão direta dá três jogos de suspensão automaticamente e não tem nada que me deixe mais chateado que perder um jogo do meu time.

Bom, mas nem tudo são espinhos na vida. Nesse período que fiquei de fora, fui convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira. O Tite já havia anunciado a lista e eu não apareci. Mas alguns dias depois, o Pedro - meu amigo e antigo companheiro de Fluminense - infelizmente teve uma lesão grave e eu fui escolhido para ser o seu substituto. Eu recebi uma ligação do Edu Gaspar e do professor Tite. Quando a ficha caiu, eu percebi que teria a oportunidade de realizar o meu maior sonho, que era vestir a camisa amarelinha.

A apresentação seria em poucos dias e, como eu ainda estava suspenso, não joguei novamente pelo Everton até os amistosos da seleção. Quando cheguei ao hotel, sofri o trote e conheci os outros jogadores. Pediram pra que eu cantasse uma música e fizesse a Dança do Pombo. A essa altura, todo mundo já conhecia a comemoração. Eu fiz questão de contar para o Neymar que, quando eu era criança, eu tentava imitar aquele moicano dele, mas não tinha os produtos certos e, em cinco minutos eu estava parecendo um poodle molhado. O moicano simplesmente não parava de pé. Ele sempre foi a referência de jogador para a minha geração.

Fiz o meu primeiro jogo com a camisa amarelinha contra os Estados Unidos. Entrei no final e não tive muitas chances. Na partida seguinte, contra El Salvador, comecei de titular e vestindo a camisa 9 do meu maior ídolo, Ronaldo. Muita responsa, mas eu fui pra cima. Logo no começo, sofri um pênalti que o Neymar converteu e abriu o placar. Logo depois, recebi fora da área e guardei na gaveta. Meu primeiro gol pela seleção ainda foi um golaço. Aquilo era tão surreal que eu não sabia nem como comemorar, significava muito para mim. Até o Neymar fez a Dança do Pombo. No segundo tempo, pra fechar a conta, ainda fiz mais um, de canhota.

Dali até o final do ano, tive uma boa sequência e terminei com um desempenho bem melhor do que no mesmo período de 2017. No Everton, fiz 9 gols na primeira metade da temporada. Pela seleção, fui convocado para todos os amistosos até o final do ano e fiz o gol da vitória contra Camarões, de cabeça.

O ano terminou bem e tenho uma curiosidade: o que será que o comentarista pensa agora?

 

2018: Novas cores, azul e amarelo

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