button titlesMINHA VIDA

N. 1

2015: Um caminho sem volta

Fiquei até os 16 anos na escolinha do Régis, na minha cidade. Era difícil ir até lá. O treino mais pesado era de segunda, em que tínhamos que correr 9 km em uma avenida, mas sempre ia feliz com meus companheiros. Saí de Nova Venécia para fazer testes no Avaí e no Figueirense. Fiquei um mês em cada clube, mas não passei. No Avaí, me disseram que o grupo estava fechado e não iria entrar e nem sair ninguém. No Figueirense, o treinador ficou em dúvida entre eu e um outro colega, que foi escolhido. Fui mandado embora no dia do meu aniversário. Foi o aniversário mais triste da minha vida. Pensei em desistir, mas tive pessoas que me ajudaram demais. Foi onde surgiu o Real Noroeste. Joguei a Copa Espírito Santo Sub-17 e Sub-20. Fui artilheiro com 16 anos e surpreendi muita gente. O Régis então conseguiu uma avaliação para mim no América-MG.

Fui num domingo e cheguei segunda de manhã. Eu não tinha dinheiro para voltar para casa porque tinha gasto o pouco que tinha em comida. Fui apenas com a passagem de ida. Fui com o pensamento de passar mesmo. Mas eu não tinha sequer uma chuteira. Quando chegou a hora do teste no América-MG, tive que pedir emprestadas as chuteiras de um amigo. Lembro que uma era azul e outra era vermelha. Eu estava sem nenhuma, então usei aquelas para o teste. Dei a vida. E com três treinos eu fui aprovado. Passei com aquelas chuteiras e fiquei muito feliz. Eles ficaram encantados comigo porque eu realmente fiz belos treinos. Agradeci ao meu amigo.

Fui morar no alojamento da base e fiz só quatro jogos no sub-17. Fazia 17 anos que o América não era campeão e ganhamos do Atlético-MG na final. Fiz o segundo gol e sofri um pênalti também. Já assinei o primeiro contrato e fui ao Sub-20, mas não joguei a Copa São Paulo porque as inscrições tinham acabado. Fiz sete jogos pelo Mineiro e o Givanildo Oliveira (técnico) e o Claudinho Prates (auxiliar) me pediram para completar um treino do profissional porque dois atacantes tinham se machucado. Nesse treino eu dei uma arrancada, fiz um golaço e recebi uma chance.

Da minha chegada ao América até estrear no time principal foram cinco meses. Estreei num jogo contra o Mogi-Mirim saindo do banco de reservas e marquei um gol na vitória de três a um no dia 4 de julho. Neste primeiro jogo, estava 'nervosão'. Era a primeira vez que eu estava jogando com torcida no estádio. Assim que entrei, me deu um frio gigante na barriga. Passou muita coisa na cabeça. Lembro que o Marcelo Toscano chutou, o goleiro pegou com a pontinha do pé e sobrou alta pra ele ainda dentro da área. Ele deu um voleio e a bola veio quicando pra dentro da área. Eu atencipei ao zagueiro e fiz de cabeça. Naquela hora eu corri e comemorei demais. Não queria que aquele momento terminasse nunca mais.

Eu sempre fui muito grato aos treinadores que participaram da minha formação e eu guardo enorme carinho pelo Givanildo. Ele é extremamente inteligente e bacana. Me passou tranquilidade e pedia para eu não me intimidar com os zagueiros adversários. Sempre estava conversando. Grande técnico. Me ajudou muito nessa subida ao profissional. Com isso, encaixei bem naquele time, marquei nove gols na temporada e ajudei a equipe a conquistar o acesso a série A do Brasileirão.

Se você ver, foi tudo muito rápido desde o começo. Saí do Real Noroeste, fui pro América. Eu nem tive base direito no América, porque joguei quatro jogos no sub-17 e no júnior. Quando cheguei ao profissional, eu joguei 24 jogos e já tinha interesse de clubes lá de fora. Quando as coisas são assim, precisa ter cabeça boa e pés no chão. Não pode se iludir, acreditar em tudo que prometem pra você e nem achar que já chegou no topo. Eu tinha consciência de que ainda faltava muito pra mim. Com 18 anos, eu ainda tinha muito o que conquistar. No final da temporada alguns clubes nos procuraram, mas decidimos aceitar a oferta para jogar num grande clube brasileiro que pudesse ser fundamental no meu processo de formação como jogador.

Nesse ano eu consegui comprar a casa para o meu pai. Eu consegui dar essa casa logo no meu segundo contrato no América. Eu renovei e falei que era para reservar uma casa para o meu pai na nossa cidade. Foi uma felicidade muito grande para mim. Uma das coisas que mais admirei ter feito na vida foi ter dado essa casa. Queria que toda a minha família saísse do aluguel. Se possível, trazer todo mundo para morar junto comigo.

Foi então que escolhi o Fluminense e o Rio de Janeiro para continuar a minha história.

2015: Um caminho sem volta

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