button titlesMINHA VIDA

N. 1

2016: Bom Início na Flórida, Dor e Esperança

Eu fui a segunda maior contratação do futebol brasileiro desse ano e comecei logo a me destacar na pré-temporada do tricolor, na Flórida Cup, nos Estados Unidos - minha primeira viagem internacional. Mas aí veio o primeiro grande baque da minha carreira: sofri uma fratura no quinto metatarso do pé esquerdo antes mesmo da estréia no Campeonato Carioca. Tive que passar por uma cirurgia e, quando estava próximo de voltar, tive uma torção com direito a edema ósseo no mesmo pé. O Fred, Pierre e todos outros jogadores, funcionários, me mandavam vídeos dando força todos os dias. Aquilo me ajudou muito a me recuperar e a me sentir querido no clube. Passei pelos cuidados do Dr. Douglas Santos, chefe do departamento médico do Flu, e só voltei a ser relacionado na decisão da Primeira Liga contra o Atlético-PR, três meses depois. Apesar de não ter entrado na final, participei do grupo que levou essa taça para as Laranjeiras.

Meu primeiro jogo como titular no tricolor foi a vitória por 3 a 0 sobre a Ferroviária pela Copa do Brasil, e eu participei de todos os gols. Foi um dia especial pra mim. Só eu sei o que sofri nesse tempo que não pude fazer o que mais gosto. Fiquei muito feliz por ter estreado e feito um bom jogo, mas não me empolguei. Tinha os pés no chão e sabia que era só o começo. Ainda tinha que conquistar o meu espaço e provar muita coisa.

O próximo jogo, o meu segundo oficial pelo Flu, era a primeira rodada do Campeonato Brasileiro. E por essas ironias da vida, a gente teria pela frente logo o Coelhão, o América-MG, que tinha me revelado para o futebol no ano anterior. Pela primeira vez eu iria jogar contra os meus ex-companheiros e amigos. Foi uma situação curiosa. Sou extremamente grato ao América por ter me aberto as portas. Foi difícil falar qualquer coisa, pois eles eram adversários agora. Mas é algo comum no futebol e eu tinha que entrar e fazer o meu melhor em campo. O carinho e a gratidão pelo clube e pela torcida sempre vão existir, mas depois dos 90 minutos. No jogo, vou sempre buscar a vitória para minha equipe. Nesse jogo, ganhamos de uma zero, com assistência minha para o gol do Fred. 

Eu gosto muito do Fred. Eu me inspirava nele quando era garoto. Tentava imitar até as comemorações que ele fazia durante os jogos. Foi  muiti importante pra mim poder conhecê-lo, jogar e aprender tanto com ele no dia-a-dia. Mas ele rescindiu com com o clube e a responsabilidade de fazer os gols do time no Brasileirão passou a ser minha e do meu parceiro Pedro, que éramos os atacantes de área no elenco. Mas estava difícil e os gols não estavam vindo. O meu primeiro gol na série A do Brasileirão só veio em seis meses depois da minha chegada, mas foi foi muito especial. Foi num clássico contra o Flamengo, na Arena Das Dunas, em Natal. Entrei no segundo tempo, fiz o gol da vitória, tomei uma pancada e tive que sair. Fiquei só 12 minutos em campo, obriguei o Levir Culpi a fazer uma substituição que estava fora dos planos, mas tirei um caminhão das minhas costas.

Antes disso fui a Nova Venécia. Encontrei a minha mãe tinha e ela me falou para eu continuar trabalhando que as coisas iam acontecer. Dei um forte abraço nela, estava com saudade. Não a via desde dezembro do ano passado (quando fui ao Rio de férias e para assinar com o Flu). Refresquei a cabeça. Agradeço a ela, aos meus familiares e aos meus amigos. Depois da visita, fiz bons treinos e no domingo seguinte saiu o gol. A cobrança sempre existe. Eu chorei bastante na comemoração, pois passou um filme na minha cabeça. 

Mesmo depois desse gol, porém, eu sentia que as coisas ainda não estavam completamente boas. O Levir sempre me colocava para jogar nos últimos 20 ou 30 minutos de jogo e eu não conseguia deslanchar. Mas aí aconteceu uma coisa que me ajudou bastante a mudar essa história. Em agosto, fui chamado pela primeira vez para a integrar a seleção Sub-20 em alguns amistosos contra a Inglaterra, no CT deles. Fui titular no primeiro jogo e fiz o nosso gol. Vestir a camisa da seleção pela primeira vez foi uma motivação enorme pra mim e estrear daquele jeito me trouxe a confiança que estava precisando. Quando voltei ao Flu, meu rendimento começou a melhorar bastante. Tanto é que, na reta final do Brasileirão, consegui pegar uma sequência boa e fazer mais gols. Jogador precisa disso! Infelizmente, terminamos o campeonato em 13ª posição, muito abaixo do que todos nós esperávamos.

Após o término do campeonato, fui convocado para disputar o Sul-Americano sub-20 no início do ano seguinte. Queria mostrar serviço,  e trabalhei muito pesado para deixar uma boa impressão e defender as cores do Brasil da melhor maneira possível. Com certeza o Tite observava o nosso trabalho e quem sabe isso no futuro poderia representar também a seleção principal?

Tudo passou muito rápido. Sempre quis jogar futebol. Sempre batalhei e esse dia chegou. Não imaginava que seria assim. Esperei 16 anos só trabalhando, correndo no sol, na chuva. Valeu a pena.

2016: Bom Início na Flórida, Dor e Esperança

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