button titlesMINHA VIDA

N. 1

2017: Passagem só de ida para a Europa

Na seleção sub-20, tentamos a classificação, mas não conseguimos. Fiquei triste porque a gente queria ir para o mundial. Não conseguimos. Serviu de lição para mim e outros jogadores. O aprendizado que ficou é que no futebol não se brinca. Infelizmente deixamos empatar três jogos que estavam na mão, nos minutos finais. Acontece. Teve hora que era para dar chutão e saímos tocando. Quem perdeu foi a gente. Mesmo assim, evoluí bastante, peguei bagagem, experiência.

O guerreiro podia estar ferido, mas não estava morto. Eu já vinha de um ano de 2016 difícil, não fiz a temporada que eu esperava, e quando eu cheguei da seleção o Abel já me colocou para jogar. Eu ainda não o conhecia. No primeiro dia, ele perguntou se eu queria jogar. Eu falei que queria, entrei de falso 9, fiz dois gols na vitória contra o Volta Redonda. Nunca tinha feito dois gols numa partida pelo profissional. O Abel gostou de mim e a gente começou a se entender bem.

Eu não queria perder espaço no time, que estava bem. Por isso resolvi ficar só dois dias de férias, fui treinar, deu tudo certo, fiz um belo Campeonato Carioca e um ótimo início de Brasileirão. O Abel foi importante demais para mim. É como se ele fosse um paizão para mim. Ele beijando a minha cabeça, lembrava muito meu pai, quando eu jogava ele sempre beijava minha cabeça.

Começaram a surgir as propostas. Tivemos proposta do Ajax e do Porto. Mas o Marcos Silva foi até o Brasil para conversar comigo. Ele me disse que precisava de mim, sabia do meu potencial e que eu poderia jogar nas três posições ali da frente, aberto nas pontas ou por dentro. Vi que o Watford estava realmente interessado e não pensei duas vezes. A Premier League era um sonho desde pequeno.

No começo, o problema era o frio, mesmo. Quando cheguei fazia - 5 graus, era muita diferença. Estava acostumado com o Rio de Janeiro, 40 graus toda hora. Foi um pouco difícil. São coisas da vida, tinha que se adaptar o mais rápido possível. O idioma também foi complicado. Eu entendia mais do que falava. No início, não dava para fazer entrevista em inglês. Comecei a fazer duas aulas por semana e devagarzinho comecei a aprender e evoluir.

O Marcos Silva me ajudou muito. É um treinador muito organizado e que exige muito dos jogadores. Estava sempre no campo para nos mostrar como se faz. E quando precisávamos de esclarecer alguma coisa, era só ir ao escritório dele e falar. Não tinha dúvidas de que seria um dos grandes treinadores da Europa em pouco tempo. Eu comecei a jogar bem com ele e queria retribuir essa confiança que ele teve no meu trabalho, entregando o que ele esperava de mim para o clube e para os meus companheiros. 

No Watford eles trabalhavam bastante a parte psicológica, queriam que a gente estivesse feliz para render o máximo possível nos jogos. Eram muito cuidadosos com os atletas mais novos. Eu estava num clube maravilhoso e criei um carinho enorme pelo Watford. Eu fui para lá com o pensamento de jogar. Digo isso porque num clube maior possivelmente fosse jogar menos ou até mesmo ser emprestado. Fui para jogar.

Ainda teve o Gomes, que eu já considero como um irmão para mim. Ele me ajudou muito nessa adaptação. O Gomes me falou que o Elton John sempre ia aos jogos, que gostava de ficar observando os jogadores. Esperava conhecê-lo muito em breve, ainda não tinha tido a honra. Queria dar um abraço nele.

Quando cheguei na Premier League, comecei a sonhar mais alto e fiquei na expectativa de ser convocado pelo Tite. Eu desejo disputar uma Copa do Mundo e tinha que estar focado, porque eu sabia que eles estavam sempre nos observando.

Eu quase chorei quando eu marquei o meu primeiro gol contra o Bournemouth na segunda rodada da Premier League. Foi muito emocionante, não saiu da minha cabeça por dias. O meu segundo gol contra o West Bromwich empatou o jogo aos 90 minutos do segundo tempo. Eu tirei a camisa. O Troy Deeney me falou no vestiário que eu poderia ser multado por causa disso. Tudo bem, valeu a pena.

Eu estava acostumado a jogar nesses estádios pelo videogame. Era muito surreal estar em Wembley, no Old Trafford… um sonho.

A Premier League era a minha cara. Dentro de campo, o jogo era muito mais intenso. Era correria o tempo todo, os zagueiros não aliviavam, e, se você pensava demais, os adversários te atropelavam. Eles buscavam muito o contato físico, então eu comecei a me aproveitar bastante disso. A distância da torcida pro gramado também é muito pequena. E como os estádios estão sempre cheios, tem muita pressão!

E eu gostei muito disso.

2017: Passagem só de ida para a Europa

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